Feicoop irá sediar reunião temática da Convenção-Quadro para o controle do tabaco | projetoesperancacooesperanca

Poemas Históricas
das FEICOOP

POEMA JUBILAR – 25 ANOS DA FEICOOP
“Uma Experiência Aprendente e Ensinante”
Santa Maria tem história
De cento e sessenta anos
Lindos sonhos, belos planos
Orgulham nossa cidade
Sinal de vitalidade
De altivez e de brio
Se houve tempos bravios
De conquistas e batalhas
Nossa luta nunca falha
Ao enfrentar desafios.
Guerras, peleias, conquistas
Quartéis, escolas, igrejas
E um passado que viceja
No presente que é real
Confirmando o ideal
Do povo santa-mariense
Brasileiro e rio-grandense
Honesto, bravo, parceiro
Trabalhador e guerreiro
O futuro nos pertence.
O futuro que queremos
Junto’ estamos construindo
Sonhos antigos, unindo
Aos novos de Terra e Fé
E como já quis Sepé
Queremos Terra Sem Males
Nos rios, nas matas e vales
Da Pátria Grande Latina
Pois a vida sempre ensina:
– Na derrota, não te abales!
Há vinte e cinco anos a chama
Da luta organizada
Está acesa, sustentada
Pela força popular
Que de maneira exemplar
Busca união e harmonia
Pra que nova economia
Seja possível no mundo
Num viver pleno e profundo
De justiça e parceria.
ssor da UFSM
O Projeto Esperança…
Cooesperança – é modelo!
É um orgulho sabê-lo
Pioneiro no Brasil
Hoje, temos mais
de 22 mil experiências
Funcionando a contento
Dão dignidade e sustento
Aos grupos e às famílias
Que no trabalho e na partilha
Vivem um novo momento.
No campo e na cidade
Mulheres, jovens, crianças
Reacendem esperanças
Lado a lado com os homens
Buscam diminuir a fome
Que deixa a muitos lelé
– Outros sem crença e fé –
Pois já diz velho ditado
Que saco vazio, coitado!
Jamais ficará de pé.
Vinte e cinco anos de esperança
De trabalho e parceria
Pois esta união anuncia
O novo mundo possível
Mundo humano, factível
De paz e fraternidade
De justiça e igualdade.
Não o poder da opressão
Da bomba ou do cifrão
Mas da SOLIDARIEDADE.
São vinte e cinco anos de Feira
Do Cooperativismo
Alternativo. Altruísmo!
Ajudando a semear
Idéias que vão brotar
Na alma do cidadão
Para que, em mutirão
Se construa novo amanhã
Com afinco e muito afã
De um mundo feito de irmãos.
Inspirador foi DOM IVO
Coordenando, orientando
Motivando, entusiasmando
Nos bons e nos maus momentos
Primeiro, nos pensamentos
Depois, no fazer, na ação
Conclamando ao mutirão
E ao pouco de cada um
E que não faltasse nenhum
Que quisesse dar a mão.
Vinte e cinco anos desta Feira
Que nasceu pequenininha
E que sempre andou na linha
Do trabalho e da justiça
Porque, mais que ir à missa,
A fé é feita de obras
Caridade não é sobra
Que cai da mesa da gente
É ato livre e consciente
Que nem Deus, às vezes, cobra.
O mundo, mais uma vez
Se volta pra Santa Maria
Olhando com simpatia
Nossa Feira Solidária
Da Economia Humanitária
Que queremos reinventar
Sem ninguém a explorar
O trabalho e o alimento
Porque o maior avarento
Nunca quer compartilhar.
Nestes bravos vinte e cinco anos
As idéias germinaram
Novos projetos brotaram
Nas Pátrias e Continentes
E de Povos diferentes
Vingaram sonhos iguais
Onde não somos rivais
Na busca do mesmo pão
Amassado a muitas mãos
Pois juntos podemos mais.
A nossa luta é sagrada
É sagrado este lugar!
Esta Feira é o altar
Da Biodiversidade
Da Solidariedade
Que Deus quer e suscita
Por primeiro Ele acredita
No povo livre e liberto
E só o coração aberto
Organizado na luta
Vencerá suas disputas
Seguindo no rumo certo.
Reafirmamos nossa luta
Popular e Solidária
E autogestionária
Como o saber dos pequenos.
– Não o saber de menos!
Mas o ser sábio com o pouco
Muito menos um saber oco
Que leva a lugar nenhum
Não dá luz a bicho algum
Pior do que ovo choco.
Nosso saber é do povo
Da luta e da união
Formando um só coração
Sem medo de ser feliz
Fazendo um novo país
Da nossa diversidade
Diferentes, na igualdade
Que nos torna lutadores
Incansáveis construtores
Da SOLIDARIEDADE!
Valdeci Oliveira – Deputado Estadual
Humberto Gabbi Zanatta
Professor da UFSM
O que é Economia Solidária
William Martins
Essa nova economia
Para que você entenda
É uma forma diferente
De gerar trabalho e renda
Com prontidão e astúcia
No comércio e na indústria
Na cidade ou na fazenda.
Foi criada na Inglaterra
Por um grupo de operários
Que estava há muito tempo
Sem emprego e sem salário
E pra mudar esse clima
Deram a volta por cima
Num esquema solidário.
Juntaram as economias
Esse foi o primeiro passo
Montaram a cooperativa
E alugaram um espaço
Pra vender mortadela
Açúcar farinha e vela
Manteiga aveia e melaço.
E para administrar
Trouxeram uma inovação
Lançaram em sete princípios
A base da autogestão
E para nossa surpresa
Criaram a primeira empresa
Sem empregado ou patrão.
Durante uma assembléia
O argumento é discutido
E somente pelo voto
Um assunto é decidido
E posso afirmar sem susto
Que sempre de um jeito justo
O dinheiro é dividido.
E dentro desse cenário
Apresento a legenda
Ao invés de emprego e salário
Dizemos “trabalho e renda”
Todo mundo assina a obra
O lucro se chama sobra
E o chefe é só uma lenda.
Essa nova Economia
Se espalhou no mundo inteiro
Espanha, França Argentina
E no solo brasileiro
Ajudando muita gente
A viver decentemente
Seja operário ou roceiro.
Surgiram as Incubadoras
Junto às Universidades
E depois nas prefeituras
Em busca de qualidade
E até governos de estado
Passaram pro novo lado
Abraçaram a novidade.
O papel da Incubadora
É criar empreendimentos
E ajudar os que já existem
A ter melhor rendimento
Pra isso é preciso espaço
Papel régua e compasso
Equipe e conhecimento.
A Incubadora orienta
O trabalho associado
Pra melhorar o serviço
E ampliar o mercado
Ela está sempre por perto
Apoia no que está certo
Corrige o que está errado.
Porém o mais importante
É o esforço da pessoa
Não adianta abrir a gaiola
Pra uma ave que não voa
Quem não quer sair do lugar
Ou quem não quer se molhar
Quando anda na garoa.
E o excesso de teoria
Feita com boa gramática
É indiscutivelmente
Um grande erro de tática
Não adianta o estresse
Pois a coisa só acontece
Quando se entra na prática.
Uma empresa antes falida
Se torna recuperada
Garante trabalho e renda
Pra quem estava sem nada
E acaba com toda agonia
Pois sustentar a família
É uma tarefa sagrada.
E quem trabalha no campo
Começa a juntar as mãos
Ajuntam várias famílias
Formando a associação
Assim melhoram a venda
Facilitam a encomenda
E o aumento da produção.
Catadoras, catadores
Também são organizados
Em busca dos benefícios
Do trabalho associado
E de forma efetiva
Fazem a venda coletiva
E melhoram seu ordenado.
E até a comida de rua
Recebe orientação
No preparo do alimento
Também na apresentação
Se associar em um grupo
Com regimento e estatuto
Fortalece a união.
E você que é prefeito
Ou então governador
Na hora de pesquisar
Sobre algum fornecedor
De produto ou de serviço
Pra evitar rebuliço
Eu lhe peço um favor.
Prefira um empreendimento
Dessa nova economia
Que traz sempre no produto
Qualidade e garantia
Cobrando um preço correto
Que é sempre abaixo do teto
E entrega o trabalho em dia.
Somente aqui no Brasil
Tem mais de um milhão e meio
E espalhados no mundo
São cem milhões eu creio
Pois durante o itinerário
De um longo trem solidário
Ninguém vai pisar no freio.
E aqui encerro o assunto
Sobre essa economia
Solidária e social
Como a muito não se via
Afirmando com certeza
Que dividir a riqueza
É a maior sabedoria.
Uma Feira de Cooperação e Esperança
Ceura Fernandes Professora e jornalista
O visionário Dom Ivo,
como bom pastor que era
não ficou à espera,
e caminho de água viva
buscou para seu carente rebanho;
Zé Fernandes, o pensador,
tratou de traçar o trajeto;
Irmã Lourdes, entusiasmada,
reuniu caminhantes
para que andassem de mãos dadas.
Três mentes iluminadas,
uma bela razão os unia
num projeto que nascia
para promover vidas
e encurtar distâncias.
Estavam abertas as portas de entrada.
Eram as portas da CooEsperança,
vontades que sonharam junto,
uma proposta alternativa
para usufruir do resultado
de uma organização cooperativa.
Cada um a seu jeito,
fazia o que sabia, o que podia,
pra aumentar renda e autoestima,
sobrevivendo com alegria.
E foram conquistando espaços
para expor a produção.
O resultado logo veio:
a maior Feira de Cooperativismo,
forma de trabalhar com civismo
que brotava do coração.
E de Santa Maria para o Brasil, para a América,
expandia-se do nosso chão.
Com a mente ou com a mão,
cada um participando
da Economia Solidária,
produzindo de artesanato à alimentação.
Todos unidos pelo bem de todos,
com diferentes vontades,
mas um com o outro como irmão,
em saudável participação.
Dom Ivo já se foi.
Mas lá do céu acompanha a caminhada,
dando proteção.
Enquanto Lourdes, a irmã do povo,
de um lado para outro,
pede apoio, mantem a motivação.
Neste caminho de formiguinhas,
passaram-se 25 anos
do lançamento das sementinhas.
Hoje a Feira Sonhada se agigantou,
está do tamanho da esperança,
aquela que a inspirou.
Espalhando-se por mentes renovadas,
símbolo de persistências concretizadas,
continua expandindo sonhos e esperanças
que emergem do centro do Rio Grande
para o mundo, com propósito e razão.
Abre porteiras para outras feiras,
que garantam a autonomia e o pão.
Emancipando famílias e comunidade,
promovendo a dignidade
pelo trabalho, pela a fé e a união.